terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Porta e o vão.

A primeira vista é tudo muito confuso, esse armário de roupas velhas misturadas com novas, essa bagunça que a gente fez no nosso cantinho.Há um tempo você se propôs a nos arrumar e eu recusei.Eu te recusei.

Depois da confusão vem o reconhecimento e eu tenho preguiça de separar,de arrumar as roupas que eu usei quando estava com você, todas as camisetas, aquela sua blusa vermelha está no meu armário.E eu crio repulsa por saber que vai inalar aquele seu cheiro de cigarro que eu gostava.Eu “ te” gosto.
Aquela Hering branca ainda tem a mancha de café que você derrubou e os meus tênis sua assinatura de caneta bic.Eu te guardo.
Meu violão está no fundo da bagunça atrás do caderno de musica, é que eu não suporto olhar para ele e me lembrar de você tocando na rede, cantando lindamente, me encantando a cada acorde. Eu te sinto.
E os meus óculos estão em cima, perto do porta-retrato com a nossa foto, não consigo mais usa-los, já que era você quem os limpava para mim.Eu te repulso.
E vai ser sempre assim, eu vou enquadrar você na minha bagunça e te culpar pelas minhas derrotas pessoais, vou te culpar nas horas tristes, eu te quero pela metade e na verdade. Eu não te quero.
E esse seu silêncio hoje me corrói. Mas só hoje.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Me ama só porque eu sou de áries( livro)

Parte 3 do livro virtual, aqui está a  segunda parte

Sono e café morno.

Na hora de dormir ela me fazia rir, virava- se toda pela cama, às vezes até 360 graus.Eu gosto de observá-la dormindo, mas a noite eu fazia isso para rir.No cantinho passava horas a contemplando sonhar.Quando ela acordava eu narrava a sua noite de sono e ela dizia que eu estava exagerando.Eu acariciava seus cabelos , sua pele, ela.Só ela.Dormindo ela era bem mais intensa que acordada. Incrível como ela acordava bonita, piscava os olhos de sono, este que durava o dia inteiro. E já tinha que tomar café, ela é amante de café, se não tomar um café ao acordar, não vive o resto do dia.Mas minhas xícaras não foram o suficiente para fazê-la viver.

Sabe eu fico pensando “qual o grau menos zero que seria sem o café de intensidade?”. Eu explico, se com o café ela passava o dia morna, imagine sem. O grande amor da minha vida não apostou no açúcar do meu café e nem em como é difícil para um ariano acordar de bom humor.Eu fazia uma força e acordava de bom humor só para não perdê-la pelo resto do dia ou da vida.Eu sou um drama, mas todo ariano gosta de um “draminha”.Nos últimos dias nem passava as manhãs em casa, simplesmente, queria a intensidade do meu sexo, ou nem tão simples assim.Abandonava minha casa e deixava de herança o cheiro na cama, a marca no travesseiro e o café sem açúcar para eu beber.

*

Nem toda razão de um jogo de xadrez amenizou a minha dor de te ter não te tendo.
E quem será que foi insuficiente pra quem?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

De pedra

Sou
Sou algo sem métrica
sou pós-moderna
Sou algo sem aritmética
sou uma incógnita
Sou um ponto de interrogação
no meio de uma palavra
Sou um problema sem correção
resolvido a mão

Verbo se(u)(r)
te amo
te beijo
te abraço
te sinto
te tenho
te faço em verbos e esqueço de me fazer.

De manhã
acorda e me olha
agora sim
terás um bom dia

Assim

Eu (não) tenho certezas
Sou um con
junto de duvidas
vivo sem dor
Sou deus
e
diabo
eu tenho o bem
e
mal
e
por você
a
cabo

domingo, 10 de janeiro de 2010

Recordação do presente.

Três amigas deitadas num colchão de um quarto rosa.As três amigas conversam sobre si mesmas, mas falam mais sobre outras pessoas.Contraditório, como as garotas.Pessoas que estão dentro delas.
três cumplices no meio da noite conversam sobre sexo e sexualidade. Elas assistem Closer. Falam sobre garotos e garotas.Desejos e planos.
Depois se abraçam de um jeito, que chega a transbordar amor.Erram palavras, falam palavrão, tiram fotos.
Elas sabem que mudaram de comportamento.Elas sabem que cresceram.Em alguns momentos demonstram nostalgia.Cafuné.Confissões, gírias, computador, música, deus, amor, sexo, estilo,planos...
Provavel que demore pra que elas se encontrem assim novamente. Saudade, vivencia, segredos, fofocas.
até o proximo verão.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Tem andado

Tem andado nostálgico
Tem andado muito limpinho
Andado muito educado
Andado muito casto
Porque andado
Enquanto
Outrora
Corria
 

domingo, 3 de janeiro de 2010

Honestidade

As pessoas estão a todo o momento querendo me classificar. Inúteis. Não me apego mais aos gêneros. A vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário, que sofre mudanças a cada cinco anos. Não é nessa leitura que eu vou achar a palavra salvadora do meu sofrimento constante. Este sofrimento delicioso que é viver. Entender é limitado a condições, a regras, a egos.Superioridade. Quando cresci intelectualmente, acreditei por vezes que as coisas deveriam fazer sentido, mas isso é uma limitação, uma corrente para as pessoas que vivem apenas das coisas que tem um possível sentido. Eu não! Eu quero uma verdade inventada, uma mentira sincera. Porque no fundo eu quero quebrar minhas limitações, me mostrar ao mundo e desabrochar de um modo ou de outro.Quero minha alma livre de julgamentos racionais, já que para racionalidade a alma nem existe.
*
É, é bem melhor assim que todos pensem que eu sou totalmente o contrário do meu eu,quando eu manter esse equilíbrio estático e intacto, sentirei. Assistirei meu fim e descobrirei se realmente o presente existe.



E no fim das contas sou só uma imbecil.

sábado, 2 de janeiro de 2010

As pessoas não sabem dizer a palavra "problema"

E as pessoas se apaixonam por outras todos os dias, trocam olhares, amores e desamores.
E as pessoas se apaixonam pela mesma pessoa todos os dias.
E as pessoas disfarçam paixões.
E as pessoas estouram garrafas e assistem os fogos no ano-novo.
E as pessoas depositam expectativas nas outras pessoas.
E as pessoas depositam expectativas no ano novo mesmo antes dele começar
E as pessoas choram enquanto estão sorrindo.
E as pessoas cantam sempre a mesma música
E as pessoas fumam sempre o mesmo cigarro
E as pessoas gritam para chamar a atenção
E as pessoas bebem no mesmo copo
E as pessoas comem a mesma comida
E as pessoas preferem arroz branco
E as pessoas usam o gerundio errado
E as pessoas falam de outras pessoas
E as pessoas leem livros "best sellers"
E as pessoas acreditam em tudo.
E as pessoas são julgadas.

E as pessoas se julgam
E as pessoas sempre são rotuladas por verbos, que antes eram ações.

O problema dos brasileiros é não saber dizer a palavra "problema".
"pobrema"
"plobrema"