segunda-feira, 29 de agosto de 2016

29.08.2016 visibilidade lésbica

Deram, finalmente, a vez dela de falar, depois de meses com a mão estendida eles lhe deram a vez.
Não ouvi as panelas, nem os gritos covardes de "puta" a luz não piscou e a televisão, essa nem noticiou.
O discurso foi bonito. Sabe quando a gente perde e tira uma lição das coisas? É mais que isso.
Não foi a primeira nem a última vez que a gente perdeu a democracia.
Nesse dia triste eu, que já sinto fisicamente o peso da vida nos ombros, aproveito para sorrir enquanto as lágrimas cismam em cair, quem sabe assim eu entendo com sentimentos como funciona um arco-íris.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Agosto.

Vivo agosto a contragosto
com ajuda do capuz escondo meu rosto
é tudo tão doloroso quando a gente sai de casa.
Nem preciso sair. Nem quero.
É só usar o facebook, ou passar vinte minutos das manhãs vendo snaps. Pronto, já sei que não quero ir, não quero sair.
Meu quarto é uma passagem secreta para tudo que vive dentro de mim.
Eu tentei pintar por cima, mas ainda lembro do seu sorriso deitada na metade do meu travesseiro me olhando enquanto eu reclamava que você dormia demais.
E todas essas noites que me falta sono eu lembro que gosto de sonhar com o "pra sempre"
Até que hoje, meio adulta, eu descobri que tem pra sempre que dura segundos, tipo os sorrisos que a gente recebe de quem a gente ama.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Com você eu sabia amar a vida, escondido.

Sei lá o que eu tenho pra dizer das paixões que eu largo por aí.
Meus amigos estão sempre comigo mesmo que algumas vezes nossas mãos não se alcancem.
A gente concorda que a vida é uma merda e gargalhamos juntos de algum meme idiota.
Até o discordar vira piada, todos os apelidos e piadas internas que a gente externa. O abraço que se alcança mesmo de longe. O pessimismo compartilhado e o irritante otimismo de alguns.
Nosso amor acanhado, mas presente. A vida coloca todo mundo que precisa colocar para a gente no caminho. Mesmo que alguns se vão. E, olha só, alguns vão mesmo. Mesmo que tenha ido morar longe ou que esqueça de te responder com frequência. Amigo não pergunta "tudo bem?" pergunta "como você tá?"
Amigo relaciona suas atitudes ao seu signo o tempo todo e te xinga. Amigo tem passe-livre para os melhores e piores momentos da vida.
Cantar alto na janela do carro, comer brigadeiro de colher, beber do mesmo copo, pedir um pedaço, falar sobre outras pessoas, mostrar uma foto, fazer umas fotos, deitar no colo, pedir cafuné, dar um tapa na testa e rir quando a gente cai, mas só depois que ajuda a levantar.  
Enquanto a maioria passa, quem tem que ficar, fica ou volta.
Amigo é aquela pessoa que você já segurou os cabelos, já viu beijar na boca, já viu quase morrer de chorar ou doer a barriga de rir.
Até descobrir, quando seu amigo estiver fazendo algo que ele sempre faz, que trata-se de amor.
Amor puro, livre que carrega e cabe muita coisa.

Receita

congelei minha idade
deve ser por isso que o segurança
pediu minha identidade.

esqueci o dia e fiquei no forno, assei.
deixa assar.

e passar.

amanhã eu passo seu café.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Eu quero só querer e nunca precisar

Quero sua atenção já naquela cena inicial do filme, antes de entrar o nome e a música tema.
Te fazer sorrir e sentir uma quentura no rosto antes de ler meu nome quando seu celular apitar no meio da madrugada.
Sabe aquele livro que a gente já se apaixona na orelha? então quero você arrepiada antes de eu chegar nas suas orelhas, só com o ar das minhas palavras.
Te viciar na melodia da minha música antes que eu comece a te cantar.
Eu quero ser aquele cheiro de café que a gente experimenta antes do gosto.
Por fim, eu só quero ser o título desse texto de modo que te faça querer me ler.


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Junho

Eu quero viver o suficiente para querer morrer.
Que apesar desses desencontros que eu guardo no bolso do coração, eu tenho também um futuro escuro. Ligue os pontos, mas não em ordem numérica. Tem incontáveis possibilidades no universo, nas estrelas já vividas e no espaço que a gente não ocupa.
Derrotas, putz! Profundas, mergulhos doloridos em pessoas rasas.
Que apesar desse presente de raros encontros, tem aquele livro saindo de mim todo inspirado no que a gente viveu.
Ah como você doeu, mas trouxe tanta coisa aproveitável no seu caminho sem volta.
Não se esquece que eu ainda te ouço pelo meu caminho sem rota.
E eu conto nossa história, como quem fala sobre perfeição.
Nesse mês, que é tão seu, não poderia te deixar pelo caminho.
Tem seu cantinho aqui.
É tão estranho não precisar me chamar nunca mais, né?
Eu também não olharia pra trás se você me chamasse.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Marley e eu

Sábado você acredita que eu chorei com uma comédia?
É que o final é tão triste, todo final tem lá seu apelo né.
Todo final arrepia o pelo.
Que rima horrível, um horror terror de querer abraçar quem se encosta.
Às vezes a gente abraça quem está mais perto, mas a cabeça, ah a cabeça tá lá longe naquele abraço que a gente encaixa até o fim do braço.
Tem muito drama que me faz rir, de nervoso, do mocinho ansioso ou da grande identificação com quem sofre.
E o cinema se faz grande quando mostra as dores, todo mundo chorando e tentando esconder o choro.
Gênero é mentira, se a arte imita a vida, meu filme é drama-aterrorizante-de-comédia-quase-romântica.
E a mocinha, que não é mocinha, ainda nem sabe o que tá acontecendo.
Faz um tempo eu não acredito mais em gêneros.
Agora nem mais os dos filmes.


PS: não matem os cachorros.