terça-feira, 29 de março de 2016

Março maço gasto

Acho que alguém gritou Luisa, mas eu não olhei é que ninguém me chama assim há tempos. Eu sempre quis esquecer que posso ser duas pessoas.
É a fina febre da saudade, eu lembro que quando você se emburrava comigo me chamava assim e mesmo que hoje sua voz não me venha todos os dias tem dias que ela dá as caras e chega lá no coração como pancada de uma vez só. Plau!
Fina febre da saudade, dos que amam demais dos que amaram tantamente. Tanta mente.
Sou pobre coitada sem ou com você e todas essas garotas que eu me apaixono só me faz intensificar o medo de ficar lá no fundo do mar como você me deixou por alguns anos, como você me deixou?
Eu não quero mais ser Luisa, não quero mais ser o que eu era quando fui muito feliz minha felicidade vem de outras fontes mas Luisa é tão boba.
Luisa é minha parte que ama, Luisa ri mesmo quando não tem mais graça e chora sem ninguém por perto. Quero Luisa para acordar mais tarde, apontar o caminho de casa e rir até acabar o ar.

Luisa para amar como antigamente. Antiga mente. Quando esse amor já for antigo demais.

Luisa vai fazer 25 anos semana que vem, não te ama mais na mente e vive o luto de outros fins.

sábado, 12 de março de 2016

Março

O que separa a gente da vida de criança a vida de adulto não é maturidade, não é idade nem tudo isso que todo mundo diz, o que coloca a gente nessa categoria adulta é percepção. Quando a gente para diante de uma situação e pensa "pqp por que eu to vivendo isso?" e também quando a gente percebe que aquilo que a gente tá vivendo acontece com todo mundo o tempo todo. Crescer é perceber aos poucos que a gente não é especial não é, com toda licença aos memes, diferentão. Tá todo mundo no mesmo barco que quando você cresce afunda e te joga no mar até você aprender a viver como a maré e desaprender e mudar e sei-lá-mais-o-que.
"Calma" ninguém consegue ter o tempo todo por isso ela faz toda a diferença quando aparece, mas eu não sei me acalmar demais porque dá sono.
Minha montanha russa é brasileira. Tá toda bagunçada e meu trilho sobe sem saber descer e desce só para aprender a subir.
Eu sou sim maré viva como diz na música e tudo que a gente vive tem seus motivos. E hoje eu acordei percebendo que eu ainda vou me ralar muito na areia, seja com garotas do litoral seja com as garotas da cidade. As ondas são quase círculos abertos.
E de quase eu entendo bem.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Fevereiro

Eu tô por perto para resolver tudo que ainda não foi resolvido, para sentir você segurar minhas mãos já sabendo como eu gosto que elas sejam seguradas. Poucas me seguraram tão forte como você, e eu prefiro não acreditar que é só sobre o seu signo que exala poder. E sobre poder, será que eu posso?
Posso só ficar perto? Posso só te endereçar linhas e linhas de textos que ninguém vai ler? Será que eu posso ficar com você?
Eu tô aqui para deixar entrar sol na sua vida porque ele clareia a minha, para tirar tudo que te dói até que você me faça doer mesmo sem querer. Para te deixar mais leve, te fazer respirar mais vezes ao dia, mas eu prometo que não deixo você ser uma-boba-alegre que nem eu que sorri o tempo todo pra você. Se eu puder te faço esquecer por alguns segundos o peso dos ombros e tudo que faz seus olhos ficarem menores.
Eu penso todos os dias  em como encontrar nosso encaixe, nosso alinhamento de peças diferentes para encaixar uma na outra.
Desde que você chegou feito carnaval meu coração solar só quis vestir sua fantasia.
Eu vim só para deixar você me fazer bem, será que eu posso?


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Único a perder

A vida inteira foram me ensinando que não existe pra sempre.

Aos 6 meu primo foi morar em outro estado levando meu coração ainda pequeno e meu melhor amigo dentro de um avião.

Aos 10 meus pais me ensinaram que casamento não era pra sempre e mesmo sem sentir acabei sentindo um rompimento que nem era meu.

Aos 14 muitos amigos foram embora da escola e a gente descobriu junto que não era pra "sempre Oitava B". Senti com o passar dos anos como giz que apaga sozinho das lousas.

Aos 17 quem acabou toda foi a escola me jogando para um ciclo e levando tudo que eu tinha de seguro.

Aos 21 meu irmão foi embora de casa levando o colo mais altruísta que eu conhecia.

Aos 23 o amor que eu acreditei ser da minha vida me deixou em uma estação de metrô com um coração despedaçado e várias mensagens de "te amo pra sempre" no meu celular.

E aos 25 quem é que vai acabar comigo?


(texto baseado nesse post https://www.facebook.com/rvitorelo/photos/a.572376252871872.1073741828.571588222950675/808155242627304/?type=3&theater)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Janeiro

Garotas do litoral são, definitivamente, meu ponto fraco.
O verão chega antes mas só se faz percepção em Janeiro, assim como elas chegam para mim, quase que não chega, mas se instala, descasca feito minha pele com queimaduras de sol.
Eu chego devagar no mar, deixo primeiro molhar meus pés e fico desviando das ondas que podem molhar o resto do corpo, até que eu me distraio entre conversas e um universo de bandas em comum e as as ondas chegam forte molhando e me tomando mais do que eu queria. Aquela sensação parece boa e eu decido me molhar inteira, mergulhar no horizonte tão sedutor quanto os olhos delas.
Mas o mar é traiçoeiro e ao mesmo tempo que te leva, te expulsa no próximo segundo e te larga na areia onde você nem deveria ter saído.
Então você espera que o sol te mostre o caminho para secar mesmo que a areia grude no seu corpo.
Até que o vento te mostra o caminho de volta para o interior onde você sonha com o litoral, o horizonte e a sedução.
Acorda
e
pensa

Esse mar do Rio sempre foi gelado demais para eu aguentar ficar.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Feliz ano novo

Eu descubro a cada ano como é viver. Viver é amar e (se) foder.
Arder, brigar, beijar, abraçar, escutar e falar falar falar e falar.
Viver é se decepcionar só por viver. Conquistar e perceber que não conquistou foi nada. Que eu sou o mesmo vazio desde o começo. A única coisa que fica é o lembrar, o aprender e a dor.  A dor não é tão passageira quanto o verbo doer.
Viver é juntar todos os verbos dentro da gente, é ter medo do escuro e pedir para alguém deixar a porta aberta e a luz acesa.
Não responder porque esperava uma pergunta melhor. Viver devia ser melhorar. Talvez eu não consiga, porque viver e crescer é falhar, é se doer, chorar muito e errar.
Acontecer é aquilo e pronto, só da para carregar mesmo igual mochila pesada que a gente já levou e não pode abandonar.
Viver é abandonar e ser abandonado. Presta atenção: ser abandonado. Não vai ter o que fazer e não há ser humano que aprenda a viver com abandono, seja da mãe, do pai ou de alguém que ama como amor romântico. E todas as outras coisas que nos deixam pelo caminho como mochila vazia.
Viver é deitar para dormir e sonhar. Acordar para a vida e desejar ficar nos sonhos. Ou fugir, fugir do medo de encarar sem entender que fugir já é enfrentar só que para o lado oposto.
Viver é dormir mal, acordar de ressaca e se apaixonar por quem a gente não queria.
Viver é fazer amigos e perdê-los também. Fazer mal e querer bem.
Viver é não saber dançar a dança dos outros e dormir sozinha no chão do quarto. Viver é rodar pelo mundo e por todo mundo. Girar a cabeça e esquecer.
Transar e esquecer nomes. Beber demais. Chapar e se cansar.
Eu estou tão cansada, eu ando cansada. A gente cansa da gente mesmo, cansa do tempo que ao mesmo tempo que passa rápido ele não passa nunca.
Viver é querer morrer sem saber o peso disso. Viver é aceitar mortes, mesmo que seja do seu cachorro e melhor amigo.
Viver é sentir. Meu deus, como eu sinto. Eu sinto tanta gente, tanta coisa, tanto medo, tanta coragem, tanto gosto e cheiro. Eu sinto saudades do que eu era nos outros anos de como eu aplicava essas minhas doses de viver.
Viver é trair e se coçar, viver é deixar pra lá sem ter deixado. Acordar no meio da noite e pedir colo.
Viver é a melhor lição de casa.
Viver é gargalhada sem ar e choro sem mãos no rosto.

Viver é esquecer o que estava fazendo e parar no meio d



segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

(2015)

Nem tudo que passou, eu deixei ir.

Nem tudo que eu não me lembro sempre, eu esqueci.
O amor vive errando, ele vive parecendo possível. Vive parecendo "meu" amor, mas é só amor.
E não ter posse de algo, que a gente já guarda dentro, dói.
É como aquela rachadura no quintal da minha avó sempre que a chuva se faz tempo eu vejo escorrer água, vejo vazar.
Teve uma vez que a água nunca voltou, você também nunca volta, isso pode até ser o melhor para tudo que a gente vive, mas a saudade fica feito a chuva dentro das paredes (você) sendo sempre meu parênteses.