quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

"Começa com a cura, mas termina com a dor"

Pode deitar na minha cama, menina.
A gente se entrelaça e afrouxa o nó que deixaram na sua garganta, eu posso guardar sua cabeça no meu colo ou amenizar sua dor no meu peito.
Vem comigo que no caminho eu não só te explico, mas te cubro de carinho.
Se quiser pode deixar uma muda de roupa na terceira gaveta e usar o shampoo verde.
Coloca o cabelo pro lado, isso, vou te fotografar, te guardo no meu computador e no meu coração.
Eu posso imitar coisas e contar histórias que te façam gargalhar.
Eu te faço feliz até virar sua nova dor.
Até a gente não caber na mesma cama ou meu peito não ser mais sua morada.
Nem sua namorada.
E nosso caminho ser uma estrada bipartida sem partida e nem despedida.
Leva essas roupas embora, ou melhor, eu coloco tudo na sua mala e te entrego naquela estação de metrô.
Pode rasgar aquela nossa fotografia com cara de sono porque agora nem dormir mais você consegue.
Depois de nós, serei seu nó de doer a garganta e cortar coração, onde você continua guardada.




https://soundcloud.com/lucas-yuri-alves-zanatta/cuidador

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

"foi-se o amor da minha vida"

foi sim

meio assim
sem mãos dadas
já tinha dado
a vida  acaba
o que está dentro dela também
sem tratado
só descaso
cria embaraço
e eu me despedaço

sábado, 24 de janeiro de 2015

Janeiro

Minha porta eu já fechei, mas minha janela eu abro todas as manhãs, vai que eu te vejo passar, vai que sem querer você dá uma passada aqui perto e olha de canto de olho pro meu quarto, enxerga tudo que eu vivi e fica feliz por mim. 

Lá pelas 10 da manhã o sol bate forte aqui dentro, a luz entra rasgando e eu gosto sempre de tirar uma foto, é que eu me acho mais bonita com a luz do sol. 
Eu sinto vontade de tirar fotos suas, lembro do seu sorriso com os olhos e da cara de brava porque eu tava fazendo isso. 
Com menos frequência, eu acordo às 5 da manhã sem precisar e lembro de quando você saía pra trabalhar e reservava 5 minutos no seu precioso tempo antes de sair para me fazer carinho. 
Algumas das vezes eu acordo em camas de outros lugares com outras pessoas e também consigo me sentir bem. 
Você é tipo aquele machucado que dá uma coçadinha nas costas onde a gente não alcança, mas que qualquer álcool ou mão de outra pessoa resolve. 
Me empresta aqui as nossas lembranças para curar minha saudade. Eu faço delas nosso filme que acabou sem beijo no final. 
Me dá aqui aquele potinho de vidro que é pra eu guardar seu pedaço que ficou aqui dentro. Só aquele pedacinho que é a parte que tem mais recheio e a gente deixa pra comer por último. 
Fechei minha janela porque está de noite e pode entrar bicho, mas eu durmo de porta aberta, lembra? 
Vê se aparece nos meus sonhos para dizer como anda a sua mãe e se os cachorros tão bem. 
Pensando bem, nem vem porque quando eu "penso bem" não é nunca você. 


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Dezembro

Último respiro do ano e toma fôlego, menina.
Coloca aquele sorriso lindo no rosto, deixa a maré subir, o mar te cobrir a cabeça e os amigos por perto te assistindo da areia.
Vamos inventar um bate-volta de última hora, como eu penso em você as vezes, volta e bate, depois me bate e depois eu volto para a realidade.
Vamos pegar jacaré com fé na onda do mundo que bagunça tudo, mas te devolve pra areia.
Vamos aproveitar o verão mergulhando de cabeça na piscina, nas coisas e nas pessoas.
Vamos comer até passar mal e no outro dia não comer nada e beber até passar mal e no outro dia dormir e/ou transar o dia todo e no outro dia ficar com a família e os amigos porque essas são as melhores coisas (que como dizem não são coisas) da vida.
Solta esse balão para o mundo, balão de 2014 que encheu tanta coisa e esvaziou outras, estourou, fez barulho e me deixou voar.
Os dias serviram só pra me separar de qualquer projeção, a gente aprende a lidar com a solidão que é viver sem apenas uma pessoa. E vive, mais que isso, sobrevive.
Sobre viver: eu quero muito.
Parece que esse ano eu entendi realmente a frase "é tão bom morrer de amor e continuar vivendo"
Dezembro é o mês do fim, só não do desapego porque no último mês tá todo mundo tão desgastado que só quer que o ano acabe, como as relações, o acabado não sabe como é bom pra quem acaba.
2015 eu só quero tirar bastante foto do mundo, das pessoas, dos sorrisos e o resto eu nem tô preparada, acho que eu nem acredito em preparação.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

herança

Eu tirei umas fotos da família esse final de semana e fiquei pensando, será que meus primos vão procurar meu Instagram como eu procuro os álbuns de família?
E meus sobrinhos será que vão fuçar meus perfis como eu fuçava as caixas das minhas tias procurando algum retrato? 
Ou como eu procuro na gaveta mais funda da minha mãe pelas fotos dela e do meu pai quando eles ainda se amavam? 
Nossos  filhos vão procurar nosso Insta e ver o dia que a gente passou a tarde no parque tocando uma viola sem saber que a gente tinha fumado o que a gente não quer que eles fumem. Ou aquelas selfies que eu deveria olhar para a câmera, mas não conseguia tirar os olhos de você.
E nossas cartas de amor serão as declarações feitas por email quando a gente agradecia só pela existência uma da outra, e eles vão acabar vendo como eu amei outras pessoas antes de te encontrar e ver que as mães também sofrem de amor. E que essas coisas doem em todo mundo mesmo. É normal. 

Normal também ver a gente carregando uma lata de cerveja na mão com os olhos caídos e que "não, a gente não é careta desde sempre". 
Talvez eles vejam alguns daquelas vídeos em que eu canto músicas só pensando em você no meu canal do youtube.
Ou os vídeos em que eu gargalhava de rir com os melhores amigos e jurava amor eterno. Amor pleno de amigo, que não se conquista, se encontra, o amor entre amigos nada mais é que o encontro. O acaso que o universo se encarrega de "fazer acontecer" uma hora ou outra.
E vão saber que já terminaram comigo pelo WhatsApp um aplicativo moda da segunda década dos anos 2000.
Minha irmã mais nova vai ver como eu adorava fazer vídeos dela só pra ouvir ela falar bonitinho e vai achar um puta mico tipo aquela foto neném no banheiro que todo mundo deve ter.
Minhas sobrinhas verão que a gente também gosta de putaria quando descobrir nosso tumblr. E vão sentir repulsa, porque os adultos familiares não podem pensar besteira, é estranho. Mas a gente vai explicar que já foi jovem e talvez em algum lugar ainda seja.
E o mais importante é que, não importa como, tudo isso é amor. 
Amor da gente, amor só por viver, isso que a gente carrega quando tá vivo. E talvez eles entendam que só o que a gente quer é o bem deles sempre, mas que as coisas tem que ser vividas e, muitas vezes, doloridas. Do sempre para sempre. 
E nosso pra sempre vai tá aqui registrado e computado dentro da rede. 
A gente ama o movimento, o espaço, a roda, o gingado...




e você? o que você ama?







segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Reparei no céu da boca, só porque tinha um céu pra mim.

Encontrei paixão em um beijo, assim do mesmo jeito que a gente tem dificuldade para controlar um bocejo. Do mesmo jeito, mas diferente. No meu corpo era como se eu sentisse uma corrente,
algo que quisesse me puxar pra dentro daquele corpo. Impulso, muito desejo.
Naquele momento eu juraria muitas coisas, não era preciso pensar no dia seguinte.
Era um infinito naqueles olhos que já me viram, mas agora me enxergavam.
Um amigo me disse que quando a gente deseja alguém com verdade, naquele momento aquela pessoa é o amor da sua vida eu questionei sobre a gente saber que não é e ele disse, "vai que você morre amanhã? Então foi". Não sei se acredito nisso, mas se eu morresse depois daquilo, com certeza seria feliz, e de que vale o amor ou a paixão se em determinado momento não te trouxer satisfação?

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Novembro

A gente já sabe que o mundo gira, girou. Dentro do ciclo rápido do metrô a gente se viu, não foram só os olhares que se cruzaram, foi a mente também. Então a gente mente. Diz que não viu, diz que passou, mas os olhos denunciam, nossos pensamentos se roubaram. Transcenderam. Cederam.
O tempo passou e agora com algumas cervejas já é possível te esquecer. Não só isso, concreto também.
Eu sou como aquele vagão de metrô que, de tempos em tempos, lota e esvazia. Abre várias portas de uma vez e depois fecha tudo ao mesmo tempo. Tô o tempo todo andando pelos mesmos lugares variando o tempo de parada. Variando qualquer parada.
As garotas me cobram sempre a mesma coisa. Atitude, vontade. E conjugam sempre o verbo "querer". Mas eu sou assim, instável.
Meu sorriso é um cartão postal que tem até dobra, lembra?
Não tem problema, eu lembro.
Novembro.
Eu tô te roubando o direito de me esquecer por ter sido o melhor dos seus dias. Eu te roubei aquele dia, mas não quis ficar com você pra mim, porque não cabe mais. Meu vagão tá lotado.
Meu vagão não tá vago.