quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

"Começa com a cura, mas termina com a dor"

Pode deitar na minha cama, menina.
A gente se entrelaça e afrouxa o nó que deixaram na sua garganta, eu posso guardar sua cabeça no meu colo ou amenizar sua dor no meu peito.
Vem comigo que no caminho eu não só te explico, mas te cubro de carinho.
Se quiser pode deixar uma muda de roupa na terceira gaveta e usar o shampoo verde.
Coloca o cabelo pro lado, isso, vou te fotografar, te guardo no meu computador e no meu coração.
Eu posso imitar coisas e contar histórias que te façam gargalhar.
Eu te faço feliz até virar sua nova dor.
Até a gente não caber na mesma cama ou meu peito não ser mais sua morada.
Nem sua namorada.
E nosso caminho ser uma estrada bipartida sem partida e nem despedida.
Leva essas roupas embora, ou melhor, eu coloco tudo na sua mala e te entrego naquela estação de metrô.
Pode rasgar aquela nossa fotografia com cara de sono porque agora nem dormir mais você consegue.
Depois de nós, serei seu nó de doer a garganta e cortar coração, onde você continua guardada.




https://soundcloud.com/lucas-yuri-alves-zanatta/cuidador

1 dizeres:

Simone Lima disse...

Ana Luísa, isso foi de doer o coração.
Adorei, simplesmente!

Bjoo'o