domingo, 20 de julho de 2014

essa carta ficou uma merda porque eu nem acredito que terei futuro tão distante.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Carta para o futuro.

Ana,
Desculpa se não deu pra gente ganhar o mundo. Se a gente não deixou todo mundo que passou por nós sorrindo.
Não deu pra terminar aquele livro, mas deu pra terminar vários, comprei até outra estante. E tá cheio de instantes é só fechar os olhos e abrir o coração.
O final do livro ficou lindo, nada "autopiedoso" como você tinha medo. É o gráfico perfeito do amor. Daquele seu primeiro amor, da garota do litoral com olhos escuros e grandes.
Você parou de se vestir dessa autopiedade, desse sorriso para baixo, toda vez que alguém falava sobre amor, agora só cresce. Essa menina do sorriso aberto que a gente sabe que ama hoje no ponto mais alto que nosso suspiro já chegou. E o coração pulsa forte, parece que quer pular por aí contando para todo mundo que amor é sorrir sozinho no meio da multidão séria.
Seus amigos estão todos por aqui, fazendo aquele círculo gigante e te trazendo as melhores risadas e os maiores ombros na hora de chorar. Se espalhando entre zona norte, interior e o resto do mundo.
A família tá aqui guardada debaixo do braço e aquecendo o coração. Você cumpriu a promessa de dar mais orgulho do que decepção.
Não dá pra saber o que você se tornou porque você nem sabia o que queria, mas com esse sorriso, se a gente não ganhou o mundo, ele nos ganhou.

domingo, 6 de julho de 2014

Eu fico pensando o quão diferente do meu cão, que corre atrás do próprio rabo, eu sou.

A gente fica aí, meio que se "punhetando" com as coisas do mundo, com as fotos postadas, os elogios guardados ou até aquele flerte no meio da rua.
Mas é ali, em frente ao espelho, tentando encontrar a própria beleza escondida, que a gente passa a maior parte do tempo.
Dando círculos em nós mesmo, tentando resgatar o que de bom alguém levou em um desses nossos envolvimentos.
Em uma ou outra troca de poros, sentimentos, ferimentos até o esquecimento.
Tudo assim, meio clichê e meio rimando como o meu cão faz todos os dias tentando caçar o próprio rabo, a própria satisfação até que ele quer segurar mais forte e deixa escapar.



sexta-feira, 27 de junho de 2014

Junho

Nasceu uma pinta nova no meu colo, fica mais pra baixo, onde você descansava a cabeça e as vezes até dormia. Perto da onde ficava a sua orelha escutando o quão forte meu coração batia por você. Mas o que bateu hoje foi uma saudadinha. Dessas suportáveis só que agudas. Dessas que faz a gente engasgar, mas que dá para engolir.

Saudade de quando eu lia livros na sua cama e você aparecia de vez em quando querendo carinho, tipo como os gatos costumam fazer.  
Eu quis chorar. Não é só por tudo isso, mas porque acabou mesmo pra gente. Acabou até o pós. Acabou qualquer contato, a gente é só um passado que dá muita saudade, mas nenhuma vontade. 
Sabe que essa pinta nasceu perto do coração. Como se você tivesse se externado e fosse só uma cicatriz sem ferida. 
E hoje eu nem quero molhar seus olhos escuros, eu só quero vê-los se expandirem para as laterais acompanhados desse seu belo sorriso. 
Acho que é sobre lembrança quando os casais dizem "pra sempre".  


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Balde de água fria.

Eu penso muito no futuro, todos meus medos devem vir daí. Só que, como quase tudo em mim, é contraditório, porque de repente eu faço alguma coisa sem pensar que muda todo o rumo da minha vida.
A gente tem que aprender a lidar com a frustração, com as expectativas. Se eu vivo de esperança eu também consigo viver com a falta dela. Vivo molhada pelo balde de água fria. Meu presente pra mim.
"Toma, Ana, lida com isso ou não lida já que é assim que você resolve." Eu nunca seco, só sinto o frio.
Lembro claramente de frases seguidas pelo meu nome que, metaforicamente, é a mesma coisa que se tivessem jogado o balde. Lembro porque nunca me sequei dessas frases. Lembro porque água não doía até então, mas agora queima.
De repente alguém aparece com alguma toalha.
Consigo me secar, mas o peito não para de queimar.
Contradição é meu complemento.

domingo, 15 de junho de 2014

Médio

Desde a Bíblia se questiona o morno, tem uma passagem lá que diz que deus te quer frio ou quente, mas nunca morno.
Na hora de se entregar a gente esquece de contar as doses, de ver o quanto cabe e despeja aos poucos o que a gente é.
E se você não esquece não acontece.
Acaba engessado no processo egoísta em que só você tem vantagens.
Ta bom, eu sei, eu nunca menti, mas foda-se, não interessa, ninguém quer e, muito menos, precisa ouvir isso quando tá ali se derramando, enquanto te oferece doses incontáveis e você só experimenta alguns goles.
E a gente se pergunta, mesmo assim, por que não consegue parar de dar esses goles? E eu me recuso a acreditar que seja para manter o copo sempre cheio. O corpo cheio. O ego.
Eu me recuso porque a gente vive tanta coisa nos sonhos.

E do médio eu só acho legal a expressão.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Teimosia.

Capricha no meu roteiro.
Capricha que eu tô com medo de tudo isso.
Puta medo de não amar mais, medo de fazer ainda mais mal para as pessoas.
Capricha no meu roteiro e me transforma na mocinha do filme, já que eu aceito sofrimento. Tá fácil.
Capricha, mas não me traz perfeição. É chato e não combina.
Não conserta meu olhar torto e me faz perder esse medo.
Capricha nos meus sonhos de modo que eu acorde com muita vontade de vivê-los.
Capricha e surpreende, porque desse jeito eu tô condicionada e previsível.
Não faz nada passar antes da hora, mas me promete que passa?
Promete que eu vou jurar amor para outra pessoa?
Promete que eu vou conseguir agradecer todo mundo que me fez ou me faz bem?
Me promete também que eu vou morrer antes de todo mundo que eu amo?
Deixa meus amigos ficarem por aí comigo ou que pelo menos haja despedida.
Ó, eu nem quero ser feliz pra sempre, muito menos viver qualquer pra sempre. Eu só quero sentir tudo, sempre que der.
Capricha no meu "agora" e não me deixa me importar tanto com o meu passado, mas de jeito nenhum me deixa viver uma vida linear.
Capricha sem capricho no sentido pejorativo que a palavra carrega.
Não precisa caprichar no meu sorriso, que esse eu sei soltar por aí. Só traz as pessoas para gargalharem ao meu redor, mesmo que seja de mim.