terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Único a perder

A vida inteira foram me ensinando que não existe pra sempre.

Aos 6 meu primo foi morar em outro estado levando meu coração ainda pequeno e meu melhor amigo dentro de um avião.

Aos 10 meus pais me ensinaram que casamento não era pra sempre e mesmo sem sentir acabei sentindo um rompimento que nem era meu.

Aos 14 muitos amigos foram embora da escola e a gente descobriu junto que não era pra "sempre Oitava B". Senti com o passar dos anos como giz que apaga sozinho das lousas.

Aos 17 quem acabou toda foi a escola me jogando para um ciclo e levando tudo que eu tinha de seguro.

Aos 21 meu irmão foi embora de casa levando o colo mais altruísta que eu conhecia.

Aos 23 o amor que eu acreditei ser da minha vida me deixou em uma estação de metrô com um coração despedaçado e várias mensagens de "te amo pra sempre" no meu celular.

E aos 25 quem é que vai acabar comigo?


(texto baseado nesse post https://www.facebook.com/rvitorelo/photos/a.572376252871872.1073741828.571588222950675/808155242627304/?type=3&theater)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Janeiro

Garotas do litoral são, definitivamente, meu ponto fraco.
O verão chega antes mas só se faz percepção em Janeiro, assim como elas chegam para mim, quase que não chega, mas se instala, descasca feito minha pele com queimaduras de sol.
Eu chego devagar no mar, deixo primeiro molhar meus pés e fico desviando das ondas que podem molhar o resto do corpo, até que eu me distraio entre conversas e um universo de bandas em comum e as as ondas chegam forte molhando e me tomando mais do que eu queria. Aquela sensação parece boa e eu decido me molhar inteira, mergulhar no horizonte tão sedutor quanto os olhos delas.
Mas o mar é traiçoeiro e ao mesmo tempo que te leva, te expulsa no próximo segundo e te larga na areia onde você nem deveria ter saído.
Então você espera que o sol te mostre o caminho para secar mesmo que a areia grude no seu corpo.
Até que o vento te mostra o caminho de volta para o interior onde você sonha com o litoral, o horizonte e a sedução.
Acorda
e
pensa

Esse mar do Rio sempre foi gelado demais para eu aguentar ficar.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Feliz ano novo

Eu descubro a cada ano como é viver. Viver é amar e (se) foder.
Arder, brigar, beijar, abraçar, escutar e falar falar falar e falar.
Viver é se decepcionar só por viver. Conquistar e perceber que não conquistou foi nada. Que eu sou o mesmo vazio desde o começo. A única coisa que fica é o lembrar, o aprender e a dor.  A dor não é tão passageira quanto o verbo doer.
Viver é juntar todos os verbos dentro da gente, é ter medo do escuro e pedir para alguém deixar a porta aberta e a luz acesa.
Não responder porque esperava uma pergunta melhor. Viver devia ser melhorar. Talvez eu não consiga, porque viver e crescer é falhar, é se doer, chorar muito e errar.
Acontecer é aquilo e pronto, só da para carregar mesmo igual mochila pesada que a gente já levou e não pode abandonar.
Viver é abandonar e ser abandonado. Presta atenção: ser abandonado. Não vai ter o que fazer e não há ser humano que aprenda a viver com abandono, seja da mãe, do pai ou de alguém que ama como amor romântico. E todas as outras coisas que nos deixam pelo caminho como mochila vazia.
Viver é deitar para dormir e sonhar. Acordar para a vida e desejar ficar nos sonhos. Ou fugir, fugir do medo de encarar sem entender que fugir já é enfrentar só que para o lado oposto.
Viver é dormir mal, acordar de ressaca e se apaixonar por quem a gente não queria.
Viver é fazer amigos e perdê-los também. Fazer mal e querer bem.
Viver é não saber dançar a dança dos outros e dormir sozinha no chão do quarto. Viver é rodar pelo mundo e por todo mundo. Girar a cabeça e esquecer.
Transar e esquecer nomes. Beber demais. Chapar e se cansar.
Eu estou tão cansada, eu ando cansada. A gente cansa da gente mesmo, cansa do tempo que ao mesmo tempo que passa rápido ele não passa nunca.
Viver é querer morrer sem saber o peso disso. Viver é aceitar mortes, mesmo que seja do seu cachorro e melhor amigo.
Viver é sentir. Meu deus, como eu sinto. Eu sinto tanta gente, tanta coisa, tanto medo, tanta coragem, tanto gosto e cheiro. Eu sinto saudades do que eu era nos outros anos de como eu aplicava essas minhas doses de viver.
Viver é trair e se coçar, viver é deixar pra lá sem ter deixado. Acordar no meio da noite e pedir colo.
Viver é a melhor lição de casa.
Viver é gargalhada sem ar e choro sem mãos no rosto.

Viver é esquecer o que estava fazendo e parar no meio d



segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

(2015)

Nem tudo que passou, eu deixei ir.

Nem tudo que eu não me lembro sempre, eu esqueci.
O amor vive errando, ele vive parecendo possível. Vive parecendo "meu" amor, mas é só amor.
E não ter posse de algo, que a gente já guarda dentro, dói.
É como aquela rachadura no quintal da minha avó sempre que a chuva se faz tempo eu vejo escorrer água, vejo vazar.
Teve uma vez que a água nunca voltou, você também nunca volta, isso pode até ser o melhor para tudo que a gente vive, mas a saudade fica feito a chuva dentro das paredes (você) sendo sempre meu parênteses. 


domingo, 20 de dezembro de 2015

Dezembro

No primeiro gole de cerveja dessa semana, que fez muito calor, o líquido mergulhou e eu senti ele entrar por dentro, senti molhando meus órgãos diferente do molhado que guardo no meio das pernas quando aquela garota quase me beija. Quase tudo sempre. O quase é pior do que o acontecimento, porque ninguém esquece o quase.
Foi quase, meu quase amor.
A gente chegou tão perto de se cuidar que se descuidou.
Me mergulhei  de cabeça no claro dos seus olhos como quem mergulha em águas claras sem saber que elas também guardam coisas que machucam. É que até o transparente, o claro e o sincero machuca.
No último gole de cerveja dessa semana, que choveu muito no sábado, meu corpo já se sentia exausto e eu me perguntava aqui dentro "será que eu consigo te esquecer?"
Esse ano quase que não teve amigo, mas teve quase amor secreto.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

como de costume

me acostumo


todos os dias a comer toda a salada pensando no arroz  feijão do pf aqui perto.
ouvir várias canções esperando o shuffle me presentear com aquela que gosto mais que todas que já me tocaram.
depois ouço quase a música toda esperando a parte que me conta sobre elas, todas elas que me fazem endereçar melodias.
de noite bebo cerveja, catuaba e fumo o que tiver querendo mesmo ser tomada apenas pelo escape que eles me proporcionam.
e depois de te procurar em todos os aplicativos do celular te encontro no último pensamento do dia, vai que a vida me faz sorte e eu te encontro como um bilhete premiado dentro dos meus sonhos tão estranhos quanto eu?

domingo, 29 de novembro de 2015

Quem acha vive se perdendo

Minha mãe disse que dá para saber que eu estou doente pelos meus olhos.
É que minha mãe já me viu chorar por quase todos os motivos que eu já chorei, por quase todas as dores que eu já tive desde aquele choro que eu chorei por nascer até o choro que eu choro toda vez que eu tenho que crescer e ninguém pode me ajudar.
Ninguém cresce pela gente, na melhor das hipóteses, cresce com a gente.
Você confia em quem te vê chorando.
Chorar é deixar o corpo nu, só dá para colocar as mãos no rosto e se deixar molhar, feito chuva penetrando guarda-chuva.
Tem gente que coloca a mão na boca para sorrir, eu gosto de sorrir com os olhos também, identifico amor por isso.
Identifico amor em quem me olha diferente enquanto sorri comigo.