quarta-feira, 30 de junho de 2010

Fôlego.

Foi a última vez e talvez a mais forte das vezes que eu segurei a sua mão.Te puxei para mim e depois de um beijo disse olhando nos seus olhos “Vem comigo!”.Você não quis.Eu sei que dessa vez seria para sempre.Eu senti que dessa vez eu iria segurar para sempre suas mãos.


Não, eu não posso ficar. Você sabe que o amor anda com o vento.Nesse vai e vem que bate no rosto e levanta os cabelos.Mas o vento muda de lado, oposto, exposto, transposto.Eu preciso seguir em frente.Preciso entrar nessa vida nova, e você não vem porque não quer.Mas não fica me pedindo para ficar.Essa nossa vida só tem gosto daquilo que a gente provar.

O que vale então todas essas praias, essas pessoas interessantes espalhadas, essas vidas passadas, esse fim de tarde, essa criança aprendendo a falar, esse ônibus lotado, esse porre de ontem, esse cigarro de agora?

É preciso respirar todo esse vento feito de amor, ou todo esse amor feito de vento.Respirar.Inspirar. Nosso vento quer mudar.Nosso ar acabou por aqui, ele escapou das nossas narinas enquanto a gente se beijava.Tudo escapa.O vento. O amor. A praia. Eu. Você.

Porque se eu não respirar algo novo quem vai embora de mim, sou eu. Eu queria respirar outros ares segurando sua mão, mas você escapou no último ar que a gente respirou junto.Escapou feito o vento.Feito amor.Feito uma bola de gude.

*

Tenho que ter muito fôlego, para parar de te respirar.


segunda-feira, 28 de junho de 2010

A vida é uma questão de escolha...

e eu me esqueci de escolher.

Num consigo escrever, nada sai da minha mente. queria escrever coisas bonitas. Queria falar mais uma vez sobre amor, mas nada sai de mim. meus dedos estão perdidos pelo teclado como quando um velha digita pela primeira vez.Será que eu tô perdida?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Céu x Teto

Fica assim olhando para o teto, antes de dormir e quando acorda. Esse pedaço de material de construção que constrói cada pensamento da gente.O teto é uma arte abstrata e faz a gente pensar.Aposto que você já passou algum momento da sua vida olhando para o teto e pensando.
É que é tão vazio que a gente precisa preencher com alguma coisa. Passa tudo, passa o dia, a noite e eu fico assim olhando para  teto, só esperando a minha vez.
É diferente olhar para o teto e olhar para o céu.
O céu é aquela imensidão azul com contrastes brancos, as nuvens, que desenham a cada segundo para gente viajar nessa viagem que é olhar para o céu.O céu tem gostinho de infância, dia ou de noite, tem gosto de família, jeito de amor.O céu é cenário de paixão.
O céu é livre o teto prende.
No teto a gente se prende em pensamentos, no céu a gente imagina.O céu é o sonho  e o teto é o acordar. Ninguém gosta de acordar de um  sonho, seja ele ruim ou bom. E o teto é sempre a primeira coisa que a gente vê depois de um sonho. O teto é real demais, coisa construída por ser humano.O céu é o habitat do sol, ninguém sabe onde termina, nem de quem pertence.
O céu é o emocional, o teto é o racional.

*

Por isso a gente vira de lado e olha para janela antes de dormir. Para esquecer o teto e lembrar do céu.
Abre a janela e deixa o céu entrar (no seu teto).



Trecho da Nina(um livro que eu escrevo) que me inspirou.

Quando a gente olha para a pessoa que a gente gosta, sabendo que a gente gosta, a euforia toma conta de alguém que não é a gente. De um “nós” que é “eles”.Algo tão metafísico que a mesma visão aparece nos sonhos, quando se consegue dormir.Aquele ser tão perfeito a olho nu, tão real e irreal, tão ambíguo e, metaforicamente,o céu.Isso.Olhar a pessoa amada é como olhar para o céu.Aquela imensidão e azul, porque amar é azul, o começo do amor, o amor só de paixão é sempre azul, com leve gostinho de criança, gosto de algodão doce, as nuvens.A quem diga que você vive nas nuvens, porque você vive naquelas nuvens, naqueles flocos brancos que dão contraste no azul sem fim.O azul é a pessoa, assim você olha para o azul e sabe que é o branco, o mesmo branco que tampa o sol de tanto ciúmes.Que abafa aquela luz só para o azul e o branco deixando, por ciúmes, sempre por ciúmes as cores do mundo de fora do nosso amor, porque o amor é egoísta e a nuvem também.Agora é hora de acordar e dar de cara com o teto, já que a nuvem tampou o seu sol.

domingo, 20 de junho de 2010

Pequenas linhas de metrô

O DINAMITE começa hoje a nova série de postagens.
O nome é Pequenas Linhas dentro do Metrô.
Eu pego metro todos os dias, e é um ótimo lugar para inspiração. E eu ando com um caderninho e escrevo algumas coisas.Vamos aos primeiros então.

Pombas.

Pomba é um bicho de cidade urbana, de sujeira de (super)população.Gosta de fumaça de cheiro de gente, de restos, de coisa da gente.Fica assim pelas ruas com os olhos arregalados esperando migalhas.
Pomba é um bicho humilhante, sujo.Há quem diga que é um bicho porco.Mas porco é outro bicho.Elas se escondem , desaparecem pelos cantos para descansar e no outro dia buscar "A migalha de cada dia". Pomba é o animal de estimação da poluição.
E tem o monte de gente que tem alma de pomba.

"Não segure as portas do trem, isso causa atraso em todo sistema"

Passou da validade, segurou minhas portas abertas para ficar dentro ( não deixar mais ninguém entrar) e me atrasou a vida , esquecendo de me fazer feliz.Me destruiu na colisão com os próximos trens.
Você deve ficar aqui na estação liberdade e aguardar o próximo trem.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Bipolaridade é o paradoxo chamado de doença.

Gosto dos teus cabelos, do seu brilho que são guardados neles. Gosto de ficar a tarde toda olhando para o seu rosto enquanto acaricio teus cabelos, cumpridos, tudo isso em minhas mãos, para eu poder puxar quando você quiser ou pedir, ou somente para acariciar e ,algumas vezes, te arrepiar.
Gosto de deitar de frente para você e dividir o mesmo travesseiro, compartilhando o ar que a gente respira, como se nosso ar se completasse.Sem dizer nada,só focando minha atenção nos seus olhos e no seu sorriso.E depois te beijar, te respirando.

Gosto de pegar sua mão nesse frio e compartilhar nossos calores, mutuamente..Passo horas olhando para seus dedos, e reparando como sua mão parece a de uma criança.E de gelada ela fica quente aí eu te levo para passear segurando sem soltar  mostrando para todo mundo que quem te esquenta nesse frio sou eu.
Eu gosto de saber que te tenho.

Odeio teus cabelos, você tem mania de lavá-los várias vezes por dia e eles ficam assim brilhando,esbanjando óleo. E você deita no meu colo querendo sempre que os acaricie.Fico sempre com medo de achar caspas.

Odeio quando você deita de frente pra mim, eu fico sem graça com o seu olhar fixo.E a gente fica respirando o mesmo ar, eu respiro o ar que você joga fora e me destruo.Depois eu te beijo para amenizar a situação desconfortante.

Odeio pegar suas mãos,elas estão sempre geladas e você querendo que eu as esquente.Fico olhando para os seus dedos para ver como sua unha é feia e sua mão pequena demais.Aí a gente sai e eu tenho vergonha de desfilar com você de mãos dadas.
Eu odeio saber que não te tenho.

sábado, 12 de junho de 2010

Virei do avesso.

Viro minha vida do avesso, é muito confuso para ser compreendido. Mais um pouco de cocaína e fico satisfeito por algumas horas, inalo toda minha dor. Inalo.Cheiro.Chupo para dentro mim um vírus, que eu escolhi que eu montei.Essa coisa louca que me deixa louco.

Eu nunca escolhi ter essa vida junkie, mas acredite sou um homem com muitos problemas. Tenho 25 anos e cresci sendo surrado até ficar mais resistente. Minha vida é um clube da luta: ilegal, cheio de adrenalina, sangue, sexo e homem.Insatisfação.

Essa minha mania de perder o limite que me deixou assim.Eu perdi tudo que nunca ganhei.

Desapego.

No meio do caminho disso tudo eu amei.E isso começou a me matar aos poucos, mais que as drogas.

É que foi difícil assumir tudo lá casa. Meu pai não soube amar. E minha mãe não tinha autonomia o suficiente. Decidi fugir da nostalgia, fugir da base que é crescer em família. Da mentira. Porque tradição é mentira. Cultura é imposta.E eles mentem para manter todos iguais.

Eu não sou igual.
No mundo pai e mãe não existe, você é responsável por você mesmo. Por cada porre, por cada vontade que envolve capital. E isso é difícil.Não ter para quem correr.Recorrer.

É que começou com um baseado e hoje só a minha veia entende a gravidade.

Pai, você é o culpado por eu querer morrer.Aprendi a respirar.E desaprendi a questão do limite. Me fodi.
Perdoe o palavrão, mas não há outra palavra que expresse tão bem o que quero dizer.
Eu sou só mais um que vai morrer, por condenação de algo involuntário, porque a rejeição familiar leva as drogas. Conforto, confronto.

Já não dá mais para dizer, preciso de mais.