8 anos de blog
mais velha mas não mais esperta
terça-feira, 7 de junho de 2016
domingo, 5 de junho de 2016
"Desculpa meu jeito, meu mal jeito, falta de jeito"
Eu te falei tantas vezes mas acho que você deixou passar.
Eu te falei que você, desde o carnaval, se faz presente na minha hora de dormir, nos dias de folia eu sentia falta do seu corpo ao deitar, nos dias que você não falou comigo eu acordava com o seu nome martelando na minha cabeça. Parece que todas as vezes que eu te via eu me apaixonava, mas paixão não fica e a gente não deixou virar amor.
Eu poderia te endereçar todas as frases que eu amo do Caio Fernando Abreu, uma dessas pessoas que eu estudo quando quero aprender sobre a dor de ver as pessoas se esvaziando da gente. Escorreu toda Ana que tinha em você naquele dia de chuva que a gente não pegou.
Tivemos nosso tempo, mas eu chorei por tudo que passou pela gente por tudo que a gente subiu e depois desceu. Por tudo que não conseguimos subir nem se ver. Pelos seus olhos pequenos que eu vou perder de vista. Por aquele dia no metrô que eu te olhei e percebi o quanto eu já te queria para mim. Por todo charme na sua voz e o jeito que você passava a palma da mão nos meus ombros.
E também aquele dia no bar que eu deitei no seu ombro e te ouvi falar lindamente sobre política.
Que grande dificuldade essa minha de deixar pessoas que eu admiro.
Eu te falei tantas vezes que não dava mas esqueci de falar para mim.
Como nos nossos dias eu sigo para o lado oposto do metrô, já que você não vai mais deixar os trens passarem para ficar mais tempo comigo na plataforma sem saber para onde ir como-eu-sou.
terça-feira, 31 de maio de 2016
maio quase junho
Entre tantos, meu vício é insistir na impossível missão de escrever o que eu sinto. E eu sinto muito.
Tudo absurdamente biográfico.
Já me emprestaram dores, mas eu tenho o suficiente pra escrever mês a mês como eu me sinto. E eu sinto muito.
Um dia eu morro de tanto viver as coisas na raiz.
E eu prefiro escrever tudo por aqui para não deixar as pessoas que gostam de mim tão desamparadas com a falta que talvez eu faça. Sinto muito por isso.
Eu me preparo todos os dias para morrer.
Essa semana todo mundo escreveu pelo mesmo caso. Eu chorei quando minha mãe me contou eu sinto tanto. A dor do mundo me faz pequena e o mar está longe demais dos meus olhos.
Eu me deparo todos os dias com o viver.
Um dia eu morro de tudo que vivo.
Será que eu aprendo mais na ausência?
Eu comprei uma lua, coloquei na parede do meu quarto. Ela brilha no escuro enquanto eu apago e, sabe, será que um dia eu não acordo com a claridade?
terça-feira, 17 de maio de 2016
17 de maio
Hoje é dia mundial contra Homofobia.
Eu nunca fiz relatos escritos por aqui, mas pelos meus textos dá para saber que eu sou homossexual ou lésbica como eu prefiro dizer. E não é por isso que eu tento todos os dias me livrar e desconstruir cada preconceito dentro de mim sobre tudo não só sobre isso. Tem muito homossexual carregado de preconceito até contra si mesmo.
Minha família foi crescendo comigo eu nunca precisei pedir permissão para ser algo que eu simplesmente sou. Imagino que deve ser dolorido demais viver dentro de casa sem se sentir em um lar.
Meus amigos continuaram meus amigos e os que foram chegando sabiam exatamente com quem estavam se relacionando e eu tenho muito orgulho de desconstruir muita coisa na cabeça de alguns deles.
Já tive momentos na vida que reproduzi a frase "se eu pudesse escolher seria hetero é tudo tão mais fácil" mas o crescimento e a percepção me fez reparar que eu só sou o que sou por causa de tudo isso.
E eu não trocaria nenhuma das mulheres que eu me relacionei. Eu não trocaria nenhuma experiência de amor. Se eu pudesse escolher eu seria exatamente o que eu sou.
Eu não trocaria nem as paixões que eu tive por meninas heterossexuais que não importa o que eu faça nunca ficariam comigo. Eu sou parte de um todo.
E estou muito emocionada de escrever isso.
Me desculpe se aqui não tem um relato de sofrimento de não aceitação, é que eu sempre me aceitei tão bem e minha mãe que poderia ter escrito o texto "Sim. Eu gostaria que meu filho fosse homossexual"
Eu só quero que mais pessoas não precisem sair do armário como eu nunca precisei. Que elas só sejam elas.
Muito obrigada aos meus pais, meus irmãos, minhas tias e meus primos.
Só o amor derruba a violência.
Maio
Ontem eu vi umas fotos suas e você se fez constante na minha cabeça de novo.
Fazia tempo que eu não via seu sorriso com dentes firmes e olhos grandes de jabuticaba. Me lembrei de você do nosso encaixe que já não se encaixa mais. Eu não gosto de voltar em você porque tudo fica maior e mais vazio.
Minha cama dobra de tamanho e o dia se faz maior.
Nada te preenche.
Você é tipo aquele livro que eu leio mais de uma vez e preencho as bordas com lembranças, ressalvas e algumas lágrimas. Livro que eu guardo no fundo da estante para não lembrar só de olhar, mas que eu nunca me esqueço de lembrar.
Você é o que sempre fica enquanto todo mundo passa.
Meu pedaço de pra sempre nosso adeus é linearmente dolorido.
segunda-feira, 11 de abril de 2016
abril
Em certos momentos eu cabulo vida.
Esqueço que tenho que prestar atenção em alguém que sabe, por experiência, mais do que eu.
Tem dias que eu só quero "me demorar" sentada no chão com os meus amigos.
Sorrir sem preocupação de perder aula e de perder qualquer coisa também, porque perder é tão necessariamente difícil que gente fica querendo reconquistar tudo sempre. E tudo sempre é muita coisa.
e se, agora, alguém me pedisse para entrar eu cabularia a vida.