Há muito tempo não lia um livro que virasse um pedaço de mim.
No mundo da literatura os leitores é que se tornam pedaços do livro e compartilham pensamentos dos autores. Mas eu juro que nesse livro ele também se tornou um pedaço de mim. Uma parte triste e também bonita que me colocou em um gráfico perfeito de emoções.
Não me sinto amiga dos personagens, nem sinto que os conheço, eu apenas sinto que vivi junto com o narrador a história, me coloquei como uma criança ouvindo a mãe ler o conto de fadas para adormecer. Eu adormeci acordada em uma história linda. E não é preciso escrever "estória"ao invés de "história" porque no meu mundo ela aconteceu e me transformou. E que pedaço lindo que eu tenho dentro de mim.
"Não se imortaliza a perda escrevendo sobre eles. A escrita enterra, mas não ressuscita" Pág 106.
Puta que pariu.
Mas cada vez que eu ler esse livro ele vai ressuscitar para mim, mesmo eu achando que ele não morre mais aqui dentro. Não entra no meu esquecimento, algo como a fé.
Talvez agora eu entenda como as pessoas depositam vidas inteiras em bíblias. Por favor, não estou dizendo que esse livro se torna uma bíblia para mim, mas me torna melhor. Só estou dizendo que finalmente consegui entender para onde os fiéis vão quando colocam a bíblia de baixo do braço. Não concordo, mas entendo.
Ontem, quando eu acabei de ler e adormeci chorando (não me sentia realmente triste com um livro desde a morte de Dumbledore haha) por tudo que eu tinha vivido dentro dele eu entendi que a escrita constrói esse mundo. Muito mais que qualquer documento com números e nomes que identificam coisas e pessoas. A escrita é o senso comum, é a viagem que a gente faz sem sair do lugar. Que delícia poder ler, entender e viver. Hoje eu tenho certeza que quero viver da escrita, viver de algo que faça as pessoas virarem um pedaço das minhas palavras. E que eu vire elas, em um paradoxo perfeito entre ler e ser lido.
Muito obrigada ao autor John Green. Meu agradecimento mais sincero. Lágrimas e sorrisos.
"Alguns infinitos são maiores que outros"
- Eu tenho certeza disso.
terça-feira, 11 de junho de 2013
A Culpa é das Estrelas.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
eu te amo. muito. e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim,e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o Sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu amo você.”
| — | A culpa é das estrelas |
sábado, 1 de junho de 2013
Não sou assim, amor. Foi só uma maré ruim. Perdoa o drama, e não desiste de mim.
Ainda não acabou para mim. Eu vou viver com você para sempre porque muito de mim tem você. Eu vou viver nesse mar do talvez. E quem sabe a gente se encontra por aí em um dia nublado e tudo volta. Quem sabe um dia você volta?
Eu mereço, eu sei. Mas eu te quero, e meu mundo quase acaba quando penso que não sentirei mais o seu cheiro, o encaixe perfeito que a gente é. Ou foi. Me desculpe, mas ainda é difícil se referir a nós no passado. Ainda é difícil acreditar que as únicas coisas que vão me alimentar são lembranças.
Tudo bem se eu te causo nojo e se não há nada de bom em mim, eu posso ser qualquer coisa sem significado, mas para mim ainda não é o fim. Tudo bem também se para você todo esses meses, dias e anos não valeram de nada e que nem tenha tirado coisas boas. Eu tirei, eu tiro, só não consigo te tirar de mim. As vezes penso até em tiros.
Se não conseguir tirar nada de bom mesmo, você pode pensar que fez o bem para uma pessoa. Um bem danado.
A culpa é toda minha, eu sei. Algo como auto sabotagem por ter sido feliz demais.
Talvez nosso final feliz seja deixar você seguir em frente. Quem sabe seja a única coisa que eu faça de bom para você?
Me desculpa pela falha, eu estraguei a gente.
E se um dia você quiser recomeçar, eu te prometo que tento ser perfeita para você e te fazer a pessoa mais feliz do mundo, sendo por um segundo ou longos instantes.
No mais, eu só quero te agradecer por tudo. Tudo mesmo, até sofrer.
Hoje eu estava tomando banho, e desejei bem forte que as águas levassem também essa dor que não passa, essa dor na garganta, esôfago, coração e na alma. Se eu pudesse lavar a minha alma. Depois pensei que eu preciso disso, eu mereço isso. Sofrer por amor é quase tão necessário como sentir.
O que eu queria mesmo e desejo bem forte é que você seja minha algum dia. Porque assim eu consigo limpar o rosto e continuar.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Movimento do amor
Mais essa que você me fez enxergar, mais esse momento que a gente passou junto. Mais uma vez você perdoa, você se doa.
A gente passou de novo por essa lama que nos atola de tempos em tempos. Aquilo que as pessoas chamam de crise. E que eu até chamaria, mas prefiro chamar de crescimento.
Esse movimento que somos obrigadas a passar, para ficarmos juntas, e todos esses meses e anos, e todas mudanças, idades e nós duas. Sempre nós duas, todo resto passa e fica, mas a gente continua, muda desnuda no agora e talvez até o fim. Desnuda na alma que por pouco não muda, transforma.
E é por isso que eu sei que as coisas são fases, eles passarão, você passarinha. Minha.
Meu lar, quase tão físico como psicológico, do pra sempre a gente já passou.
Somos eternidade morando em qualquer cidade.
terça-feira, 14 de maio de 2013
O que não me mata, desfavorece.
Não me venham com essa de que o amor mata. Se matasse você não estaria vivo para contar, se lamentar reclamar e quase (eu disse quase) morrer. O amor não mata, ela deixa vivo para sentir mais ainda. O amor não mata ele é ainda mais difícil que isso.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Nada deu certo então tudo deu certo.
Se não fosse o meu signo ariano ou aquela história que faz mais de 2 anos.
E todas as memórias de 22 anos não seria eu.
Se não fossem todas as dores e o medo do medo que eu guardo em segredo não seria eu.
Se não fosse o amor de mãe que ela soube traduzir e amor de pai que insisto em resistir não seria eu. Se não fosse o amor do meu irmão que não sabe me dizer não e o amor das minhas tias intenso como o de amigas não seria eu. Se não fosse o colégio de freiras e o certo descaso que me fez passar direto na faculdade e encontrar meu espaço de um só jeito não seria eu.
Se não fossem todas os porres e se eu parasse no primeiro gole não seria eu.
Se não fosse o Dinamite. E essa mania de ler Nietzsche não seria eu.
Se não fosse a Fernanda Young, as chiquitas, a Carol e Malu, os amigos do prédio e também do colégio não seria eu. Se não fosse o Harry Potter e a televisão. E essa mania de querer fazer os outros rirem. Se não fosse Santos, todos os dogs e a mania dela de não desistir de mim não seria eu. Se não fosse Bia e até a Mariana. Se não fossem minha avó que já foi embora e o jeito dela de cuidar de mim não seria eu. E se tudo isso desse certo não seria eu.
Se não fossem as sardas, os piercings, a tatuagem e as minhas roupas não seria eu. Se eu não tivesse me assumido gay e insistisse em não acreditar em Deus não seria eu.
Se não fossem todas as meninas e todos os meninos, o Cazuza e o mês de Abril não seria eu.
Se não fossem as brincadeiras do meu pai e os livros da minha mãe e se eles continuassem juntos também não seria eu.
Se o Yan não fosse para a Bahia no auge da nossa infância não seria eu. E todos os choros, o medo de escuro e de achar que o mundo é um pesadelo não seria eu.
E essa melancolia que atua na ironia, o medo de barata e o olho esquerdo que é meio vesgo, não seria eu.
Se não fosse o Tarzan e o 101 Dálmatas não seria eu.
E se não fossem essas lágrimas na hora de escrever isso, definitivamente, não seria eu.
Ps: Esse texto é inspirado na música Capitão Gancho - Clarice Falcão Vale a pena ouvir.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um Deus, ideias, ideais, nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso.
Eu sou umas quinhentas pessoas ou até mais. Na verdade, muito mais. Na minha cama junto com a minha alma deitam-se muitas outras almas despedaçadas, dias inteiros, estações e erros. E eu sou tudo isso. Sou velha, criança, inteligente e anta. Você nunca vai saber com quem está conversando ou com qual se deita. Mas eu te prometo que, se deitarmos na cama eu vou te entregar pelo menos uma de mim e correr todos os riscos que a gente está correndo. Nesse pra sempre que já não é tão sempre. Desde agora ou só agora, peço que a gente esqueça de se iludir, vivamos um dia de cada vez com todos os pés no chão. Eu também tenho um lado ruim, mau, que tento ao máximo esconder do mundo e principalmente e até somente de você. As vezes eu não consigo segurar, não sou santa, nem sirvo de exemplo, infelizmente sou humana. Sou Ana. Várias Anas e Luisas e até coisas sem nome. Entre tudo isso, um dia me descubro e por isso não me cubro. E como eu sempre penso, mas nunca te disse te conquista que assim você me conquista.