terça-feira, 17 de julho de 2018

precisa chover em são paulo

precisa porque onde não molha resseca, machuca, fica difícil respirar.
e de difícil já tem tanta coisa aqui dentro.
e aí me disseram para respirar que tá tudo bem, mas eu respiro esse ar e ele não vem.

Na cadência das ondas

Na queda a gente sempre tenta cair melhor, arrumar algum jeito de cair sem machucar, mas tem coisa que não se arruma.
as cadências pausadas das ondas, que depois de quase nulas dão um jeito de se reerguer, é isso que eu tento todos os dias.
Um processo infinito de construção da gente.
e tem tanta gente que dividi o mesmo mar.
tem esse sol batendo nas minhas mãos enquanto digito minha dor.
tem esse nariz pingando, porque hoje eu chorei de novo e o tempo tá seco.
aprendo e reaprendo com o mar.

sábado, 7 de julho de 2018

Olha só, olha só, é melhor me abraçar do que dar tiros.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

o caminho de volta pra si é mais dolorido que o ir.

sábado, 30 de junho de 2018

Duas Anas

Você comentou das minhas sardas dos ombros e me perguntou como eu seria ruiva, eu beijei sua barriga onde eu descansava meu gozo e a gente riu desses encontros doidos da vida.
Que coisa bonita a ANAtomia né?

domingo, 24 de junho de 2018

onde eu moro?

Apesar do passado de encontros, de rodoviárias que as namoradas me esperaram, eu ainda tenho um futuro irrestrito, um caminho longo na rua de trás ou em outra galáxia, tipo aqueles exercícios de completar linhas pontilhadas.
Tem sempre aquela hora que eu penso se vou me jogar no guichê da rodoviária ou fechar a janela de conversa. O Renan comentou que eu nunca falo dos barcos quando falo do mar, mas é que eu não tenho casa, eu tenho movimento, vou onde as meninas levam minha maré, até elas me arrebentarem.
É no peito que o mar arrebenta em mim (tipo a tatuagem da Bianca).
E nesse caminho pontilhado, reticente, eu sei que posso me ouvir e não quero esquecer isso. Que eu posso dividir meu rebento com as pessoas que também se arrebentaram.
E fica todo mundo fazendo carinho no meu machucado enquanto eu falo de um remédio que também pode ajudar o outro.
Dividir amor e todas as suas dores, dividir água, café e travesseiro. Melhor, sorrir em meio a tempestade, dividir sorriso em dias nublados.
Ouvir e comentar ou só ouvir. Ouvir de dentro pra fora.
Porque abandono dói, mas é bonito em sua totalidade, só não se deixa abandonar,  quando todo mundo se despede quem fica sou eu, meu nome sem apelido.
E se eu me esqueço de mim, esqueço do amor pra completar meu mapa pontilhado.
Meu mapa astrológico onde eu justifico com a vênus em touro o porquê de demorar tanto pra parar de doer.

as minhas lágrimas chegaram depois do telefonema, e eu adoro telefonemas, vieram depois da minha voz trêmula e a sua de doentinha, lembra que ano passado você também adoeceu nessa época?
promete que se protege do frio?
(do clima e da vida)
é que a gente é muito mais quente do que nossa imunidade.