segunda-feira, 1 de maio de 2017

o céu no coração apertado

Tem dias que sou mais Francisco, e insisto olhar só para baixo, esqueço do nosso céu e não congelo nossos frames bons.
Tem dias que minha cabeça fica como a de francisco que nem meus ossos se fortalecem e dói meu coração.
Dói o coração esquecer do bem do mundo, esquecer o bem que a gente se faz.
Então eu saio com o meu cachorro para passear, como francisco, mas não encontro meu pé de manga. Me deparo com a minha cabeça, que cisma manter o equilíbrio.
Arrisco te enviar cartas, ler o que a gente já se endereçou e lembrar de dias como o bottom da banda do mar. Do mar.
de repente me vejo chorando de novo, só que olhando para o nosso céu.
Tem dias que sou mais Francisco fotografando e te enxergo no meu congelado mais quente de sol aparecendo em céu nublado.

maio

Sabe, eu sei que tá difícil levantar dessa cama, desse ninho de tristeza, mas ver você colocando o pé pra fora da cama, descobrir a cabeça pra respirar a quase calma, me faz querer levantar também.
E eu choro pela falta de leveza, mas as lágrimas são pesadas demais.
Não sei responder as perguntas enquanto choro, mas tudo parece que intensifica essa vontade de desabar de uma vez só, em minutos para carregar no sono e na ressaca que a tristeza deixa nos dias seguintes.
Enquanto escrevo lembro do dia que disse que queria correr todos os riscos por você. Ainda quero. Muito. Mas percebi que meu maior risco sou eu mesmo, é meu medo de arriscar e é ele que eu vou enfrentar com você, e ainda que te doa me ver assim, quero me envolver cada vez mais no nosso envolvimento até que nossos sorrisos não caibam na boca, porque é isso né bem? o sorriso mais bonito que eu já beijei misturado com o meu que importa.

domingo, 2 de abril de 2017

abril de 2017

Eu sigo esses caminhos, faço quase sempre o que posso e aprendo com tudo. Às vezes mar bravo, às vezes ressaca ou ano novo; lixo amanhecido e pernas que pulam. 26 delas. 7 ondas e o perder as contas, perder os calçados, perder os limites e o chão.
Comemorar a chegada do ano vomitando na privada.
Levando vidas privadas querendo mostrar cada detalhe.
Hoje como mais frutas, mas ainda evito alface. Experimento e tenho argumentos. Continuo com medo do que me espera onde eu não posso ver (escuro do mundo).
Não tenho o carro que meu irmão tinha na minha idade, nem me faz falta. A falta que eu sinto é dele mesmo. Esse vai e vem de gente o tempo todo na vida.  
Escrevo aos domingos, nesse intervalo de noite antes de Girls e depois de sábado. Escrevo como vomito em privadas, ajoelhada nas coisas que vivi anteriormente.
Vou e volto nos cadernos que tenho desde os 17 quando descobri que vomitar é preciso. Danço nas linhas e tenho a letra feia, mas gosto dela. Lembro de recusar os cadernos que a fonoaudiologia me receitou aos 9 anos.
Os 26 são só meus, ninguém viveu comigo tão integralmente tudo isso.
Todo dia 4 de abril eu tropeço na mesma pergunta:
"E aí o que que c tem até agora?"
Eu sei, eu nunca vou descobrir onde o mar pisa quando acha um chão.

sexta-feira, 10 de março de 2017

transpassa

Me lembro de não te esquecer
Me lembro do seu cheiro ao acordar
do seu sorriso branco
do nosso sono pesado
seus olhos quase verdes
e seu cabelo quase amarelo
seu pescoço iluminado pelo sol
e seus peitos na luz escura da noite que brinca

Me lembro de olhar para o céu, onde quer que eu vá
só pra te contar ou te apontar

Te encontro no azul do céu ou nas luzes da cidade de noite

Ventura

Toda vez que me saco na sua sacada,
tenho vontade de gritar seu nome
junto com o meu
Dentro de mim vivo uma alegoria,
música alta que eu canto sorrindo
Te bebo no café que você nos fez
E me faço
Feito laço
no presente que você já é
para o mundo todo.

segunda-feira, 6 de março de 2017

banda do mar

Ela

Entre nós, só nós.

A gente tava naquele lugar em que vivemos o inevitável, mas ainda não era nosso fim, era só a espera do ônibus que nos separa por 8 horas e uns (não poucos) trocados na rodoviária, quando ela tentando me dar um pista pergunta:
- você sabe que esse bottom é da banda do mar né?
- sei, eu queria tanto um.
Na minha casa no dia seguinte, ela tinha me deixado um bottom da banda do mar antes dessa conversa.
Me emocionei tanto que quero lembrar disso pra sempre.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

E olha onde estamos.

Foi porque eu me apaixonei, foi mesmo. No meio dos textos e além deles. Me apaixonei, mas dava para amenizar, até você aparecer na minha cidade até você ocupar o mesmo retângulo e se deitar comigo na minha cama antes de encostar minha boca.
Me apaixonei antes de provar.
Depois me apaixonei mais e cada dia mais.
E todas as vezes que eu te vejo fazendo algo que nunca vi eu me apaixono de novo e mais.
Me apaixono pela intensidade dos seus atos cotidianos e seu medo de parecer frágil.
Foi isso sim, tenho certeza. Isso de me apaixonar pelos seus sorrisos e todas as fases deles, depois descer para seu corpo todo como quem foca uma lente fixa. Suas pintas. Cada uma delas. Cada. Uma. Até as que eu não lembro de cabeça.
Até eu não lembrar exatamente o momento que me apaixonei, só é. Só foi.
Só somos.
se é que podemos chamar de só esse universo todo de dentro para fora.