terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Quando Você Olha Pra Ela - Jana Condé (Cover)

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Mar.

eis que nos colocaram na beira-mar
eu amo isso de beira-mar, eu amo isso de beira, de beirar alguém,
como eu te beiro, como "eu te chego pelas beiradas" ou só fico por lá.
nos colocaram ali com os pés nas ondas curtas, baixas, pequenas e extensas
feito nós

molha os pés mas preenche o corpo todo
dá pra sentir dentro, o calor e até o pouco calor das águas que nos invade

de repente

como uma batida que muda a música
a onda sobe pelas nossas pernas
invade nosso corpo pelo meio das pernas
tem gente que foge, corre, volta para a areia
seca

- Não, aqui não!
Aqui a gente vai até a água chegar no peito
até dar medo de voltar
até a marola tirar nosso pé do chão

e repete

como as ondas
e é tanto "de frente para trás" e "de trás para frente"
que a gente não entende mais onde começa e termina
nossa onda



engolir sapo

eu tenho mania de olhar as pessoas nos olhos,
mania de passar verdade em quase tudo que sai da minha boca
e em tudo que já está dentro dela.

tenho mania de engolir gente e encher meu coração.
tenho mania de engolir gente igual engulo saliva, assim sem perceber.
engolir gestos e cheiros, memórias e derrotas.
engulo a seco
e só quando percebo
bebo água.

não tenho saco para engolir sapo
mas sou adulta
e isso é o que a gente faz de melhor
engole sapo, perereca, qualquer anfíbio
só para permanecer.
não é o meu ser.


2018

tem ano que vem de uma vez, bum!
tem vez que vem de um ano.
tem que ano que vem de
eu te amo.

domingo, 29 de outubro de 2017

textura de domingo

Você tem esse teu jeito de sumir, de se mesclar entre texturas dos dias de domingo.
Tem domingo que se aninha em meus braços e colo, outros que me mostra mundos e tem esses, os mais demorados, que você some.
Se esconde entre afazeres e falta do que fazer e deixa meu celular vazio. Conto até 10, mas não te procuro, espero que entre um esconderijo ou outro venha sua vontade de fazer xixi e me mandar qualquer mensagem sobre como o tempo fechou, feito a porta que você não abriu para mim, a chave que você nunca me deu.
E eu tenho esse jeito todo meu. De sentir medo do que está ausente, medo das garantias que eu nunca vou ter, corro para o caderno mais próximo e descarrego toda a poesia presa, intensa e guardada, dos dias de sol ou aqueles que você mora em mim com a porta escancarada.

koba disse que quando a gente tá amando é difícil escrever com frequência.

É que quando a gente tá amando é difícil fazer qualquer coisa (sem a pessoa) com frequência

da um puta medo né?
esse lance todo que tá acontecendo e a gente solto, largado.
encontrei amigos no metrô essa semana.
Tá todo mundo sentindo, todo mundo carregando coisa maior que o copo de breja nas mãos.
Todo mundo com medo, acuado, mas a gente continua seguindo, andando em fila indiana na escada rolante, furando catraca e conferindo o relógio.
E tenho apenas 15 minutos para acabar o almoço.
Meu pai disse para aguentar firme e confiar em deus.
Minha mãe me deu cadernos de presente
"tó bota pra fora esse choro preso nas linhas de metrô"
De noite eu me abraço na cama, "dormir é só fechar os olhos e relaxar"
mas meu pulso tá preso, meus dedos não se largam e dói acordar na madrugada
eu to engasgada
mas não posso dizer, quero mentir para mim mesma
"vai, ana, você é forte"
puta que pariu, gente,  não sou mais.
sou sensível demais para tudo isso.